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Teardown · Caso

Teardown: a arquitetura de sell-out da Nestlé, reconstruída do zero

Leitura de 9 minFLtech

Quando um projeto de dados sustenta a decisão de uma das maiores operações de bens de consumo do país, cada hora de atraso e cada número sem confiança custam caro. Este é o relato de como reconstruímos, do zero, a arquitetura de sell-out da Nestlé no Brasil — e o que aprendemos no caminho. Projeto liderado por Vinícius Prado Damião, sócio da FLtech.

O ponto de partida

Sell-out é o dado que diz o que realmente vende na ponta — não o que a indústria fatura, mas o que o consumidor tira da prateleira. É a base de decisões de bilhões: quanto produzir, onde investir, o que ajustar. E, apesar dessa importância, a arquitetura que capturava e modelava esse dado tinha crescido por acúmulo, não por desenho.

O dado chegava de mais de 130 clientes diretos e de agregadores como IQVIA, Neogrid, Accera e ScannTech — cada um com o seu formato e o seu calendário. As transferências eram legadas, por SFTP, frágeis e sem rastreabilidade. Pipelines que levavam até 10 horas para rodar — um dia inteiro de trabalho antes de o dado ficar pronto para a decisão. E, no meio disso, dezenas de exceções que só algumas pessoas sabiam tratar.

O diagnóstico

Antes de reconstruir, mapeamos. E o mapa revelou os pontos cegos clássicos, em escala enterprise: dado que chegava por caminhos frágeis, sem linhagem para saber de onde veio; qualidade que ninguém media de forma sistemática; e um tempo de processamento tão alto que a decisão sempre olhava para trás. O problema não era falta de dado — era falta de arquitetura.

As decisões de arquitetura

A primeira decisão foi trocar a fundação. Saímos de um desenho baseado em SFTP para uma arquitetura API-first, com autenticação via OAuth e linhagem forte — cada dado passou a ter um caminho rastreável, da origem ao painel.

A segunda foi tratar governança como parte do design, não como um comitê à parte. Implementamos governança e qualidade de dados apoiadas em Stibo (para a gestão dos dados-mestre) e Acceldata (para observabilidade), de modo que o erro fosse pego antes de virar decisão.

A terceira foi preparar o terreno para o futuro: uma infraestrutura ML-ready, construída junto com DevOps, MLOps e Ciência de Dados, para sustentar a previsão de sell-out que a diretoria usa para decidir.

A execução

Nada disso foi um big bang. Implementamos de forma incremental, com padrões de qualidade de código e otimização em cada etapa — e o ganho apareceu em três frentes distintas.

10h → 2h

uma reescrita de lógica: a validação que comparava faixas de valor com um between deu lugar a uma abordagem idiomática em Spark. Um pipeline de dez horas passou a rodar em duas.

Projeto Nestlé (via 4Zoom)

Em outra frente, repensar como o dado era tratado ao longo do fluxo deixou um pipeline até 27× mais rápido. A decisão deixou de esperar um dia inteiro pelo dado.

Sobre essa fundação, entregamos mais de 20 produtos de dados para a área de Finanças — de quebras de P&L a fluxo de caixa, contribuição por cliente e Net Net Sales. E as iniciativas de governança tiveram um efeito colateral valioso:

US$ 200 mil+

de economia anual — de job clusters no lugar de clusters all-purpose, orquestração de workload, vacuum nas tabelas e otimização de storage. Puro FinOps embutido na arquitetura, não um projeto separado de corte de custos.

Projeto Nestlé (via 4Zoom)

O resultado

No fim, os painéis passaram a servir mais de 150 usuários por mês, globalmente, com dado em que eles confiavam. Um time de mais de 40 pessoas trabalhou nessa transformação. Mas o resultado não se mede só em número: mede-se em decisão que deixou de esperar meio dia por um dado — e passou a confiar nele.

As três lições

Três lições atravessam este projeto e todos os outros que fazemos:

  • A fundação vem antes da IA. Só foi possível pensar em previsão porque o dado, primeiro, ficou confiável e rápido.
  • Governança se projeta, não se instala. Linhagem, qualidade e observabilidade entraram no desenho — não como uma camada posterior.
  • O maior ganho às vezes é invisível. Os US$ 200 mil não vieram de um projeto de cortar custos; vieram de fazer a arquitetura certa.
Reconstruir uma arquitetura em produção é trocar o motor com o avião voando. Só dá certo com fundação, governança e gente sênior nas três coisas ao mesmo tempo.

É esse tipo de trabalho — do diagnóstico dos pontos cegos à arquitetura que sustenta a decisão — que a FLtech leva para operações de qualquer porte. A escala muda; o método, não.

Quer uma arquitetura que a sua decisão possa confiar?

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